Ilustrações e escritos, ficcionais ou não, por Maria Eloise

domingo, 28 de setembro de 2014

Carta ao Bloqueio

Desprezado Bloqueio,
Gostaria muito de entender por que você não me deixa em paz. Por que não me deixa trabalhar no que eu gosto ou cumprir com minhas obrigações? Por que sempre tem que me oferecer uma deliciosa dose de distração inútil sabendo que eu não vou me controlar? Sempre tento desfrutá-la prudentemente, mas acabo me embriagando com diversão desenfreada e maléfica para minha produtividade. Bloqueio, você é um perigo para mim. Oferece essa dose na bandeja, pura e com gelo, sabendo que tenho a mente fraca demais para resistir.
Meu gênio me alerta sempre para que eu te supere. Para que eu lute contra você e contra essa droga que me oferece tão malvada e deliberadamente. Ele ainda acredita que eu possa me livrar desse vício que desgasta tanto o meu raciocínio. Porém a voz dele é abafada pela tua gritaria que me diz que não há mais jeito, que o único ponto de fuga é essa dose tão tentadora. Eu sei que não é, mas é tão doce e prazerosa que eu me entrego quase sem hesitar. O gênio falando baixo do outro lado da sala, sem poder fazer nada e me olhando com tristeza enquanto eu encho a cara. Quando a ressaca do arrependimento bate, eu me sinto muito mal por ele e por mim.
Espero que, embora nós até aproveitemos esses momentos vazios, eu consiga mesmo me livrar de você. Pelo menos por agora. Estou realmente ocupada e quero me concentrar nos meus afazeres. Você poderia me fazer uma visita quando eu estiver PRECISANDO de uma folga. Então beberíamos sem culpa e meu gênio poderia até nos acompanhar. Ele anda um pouco frustrado por eu não ter lhe dado tanta atenção ultimamente. Ele precisa de mim e eu preciso dele. Por favor, eu peço que não abale nossa relação.
                            Desejando muito que você me deixe por um tempo,
                                                                            Mary



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